Ghost in the Shell (O Primeiro Filme)

Capa do anime

Como sempre, dou o aviso prévio padrão: cuidado com os "espoileres".

Os animes de cyberpunk costumam ser mais cabeça do que os filmes do mesmo gênero "arrebenta bilheteria" dos EUA. O primeiro filme de anime de Ghost in the Shell se enquadra nesse quesito,
apesar de eu não considerá-lo um cyberpunk plenamente, o que vou explicar mais para frente.
Os filmes de anime de Ghost in the Shell, incluindo ainda o filme norte-americano de 2017, foram adaptações da série de mangas de mesmo nome.


Esse primeiro filme de anime é antigo, de 1995, e aqui vou me limitar a falar só dele, deixando para falar dos outros filmes de animação em outras postagens.

A Básico sobre a História

Na trama, o mundo do futuro, em específico o Japão, passa por uma disputa acirrada pelo poder, entre grandes empresas e o Estado.
O Estado conta com uma força especial, meio policial, meio secreta, que é onde Motoko Kusanagi atua, e que combate tanto nessa disputa por poder quanto contra o terrorismo e grandes organizações criminosas.
Motoko tem boa parte do seu corpo fundido a tecnologia robótica, incluindo uma parte do seu cérebro, e ela é a major e comandante de uma equipe de assalto e infiltração dessa organização estatal.


Nesse primeiro filme não é explicado o seu passado, nem sequer é falado algo sobre a sua família, o que não acontece em outras versões do anime e na adaptação feita pelo cinema norte-americano.

Os Questionamentos que a História faz e a Relação disso com sua Qualidade

Ghost in the Shell aborda muito como a tecnologia combinada ao corpo humano poderia mudar as nossas emoções, as nossas decisões, em resumo, o quanto ela poderia diminuir ou não a nossa humanidade.
Não só ela mas vários personagens da trama possuem partes de seus corpos que foram totalmente substituídas por componentes eletrônicos e robóticos.


Nas várias decisões que a major precisa tomar ao longo das investigações e também nos diálogos que ela tem com outros personagens, é muito falada a palavra alma.
Alma para os personagens da história é a consciência da pessoa, é o próprio "eu" dela, o que em teoria seria a única parte dela que não poderia ser substituída por tecnologia. 
Isso é colocado a prova quando até as mentes, ou seja, as consciências das pessoas são raqueadas por cyberterroristas e nelas são implantadas falsas memórias.


É aí que Ghost in the Shell acerta muito, pois isso desafia a visão que o telespectador tem dos personagens incluindo a protagonista, colocando a dúvida se a Motoko real será vencida ou não pela robotização do seu corpo, dando um tom dramático.
No final do filme acontece uma coisa que, dependendo do nível de admiração que você pegou pela protagonista, pode te deixar um pouco desanimado (não tem relação direta com a imagem abaixo).


Isso tem relação com a questão do nível de humanidade da mente de Motoko, mas prefiro não dar mais detalhes aqui, para não tirar a graça (rs).
Os diálogos exploram muito a questão "ser-máquina" ao longo do anime.


Mas isso também faz o anime ser maçante em algumas partes, com diálogos muito estendidos e grandes períodos sem ação, o que pode ser uma coisa ruim para quem gosta muito de cenas com tiros, lutas e explosões.
Se formos levar em conta o quesito ação, digo que o anime é razoável, e dado o ambiente e o enrendo da história, poderia ser bem melhor do que foi.


A maior parte das cenas de ação são confrontos com poucos tiros, perseguições curtas e desfechos rápidos. Talvez, o objetivo dos criadores e produtores tenha sido muito mais abordar as questões existenciais do que criar uma história de ação.


Se você quer assistir Ghost in the Shell esperando um mergulho bem fundo no universo cyberpunk, está enganado. Ao meu ver, a história não possui três aspectos que considero muito importantes do cyberpunk para o anime ser considerado um: o estilo de se vestir "doidão" bem popularizado, a decadência social e a paisagem urbana psicodélica.
As roupas das pessoas que passam nas ruas são até mesmo mais parecidas com as dos chineses de hoje em dia do que com os dos japoneses de hoje. 
A cidade em que se passa a história tem um aspecto bem parecido com o de uma cidade atual, só que muito densa, superabitada e com infraestruturas não usadas ainda, porém não necessariamente futuristas (quanto ao conceito visual), mas nada das arcologias (prédios de aspecto diferente e de usos não convencionais para os padrões atuais) e dos hologramas gigantes.
Abaixo tem algumas imagens da cidade.




Em nenhum momento é mostrada muita pobreza, muito crime ou degeneração moral.
Sim, é verdade que a maioria das histórias consideradas cyberpunk, de HQs, de filmes e de desenhos, não tem todos os aspectos do gênero ao mesmo tempo, porém é bom deixar o aviso aqui, e para mim isso já impacta no quanto você pode gostar do filme.
Logo, um fã muito exigente de cyberpunk pode acabar achando a história ruim, só pelo aspecto de alguns personagens e do ambiente onde eles estão. 
Porém, na minha opinião, isso não reduziu a qualidade da história.


No resumo, a nota que dou para o anime é: 7,5

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